Minha terra tem castanheiras,
Tem também os pinheirais;
Araras e gralha- azul,
Araras e gralha- azul,
São belezas naturais.
Céu azul
e estrelado,
Rios, várzeas e igarapés...
Porém, nessa linha,
Não dá para continuar;
Sobre uma coisa triste,
Infelizmente, tenho que falar.
Minha terra tem viciados,
Uma coisa que dá dó;
Pelas ruas, abandonados,
Cheirando cola e pó.
O desemprego, muito grande,
Assaltos, sequestros e muito mais.
Das cadeias saem comandos,
E há carência de referenciais.
“Não permita Deus que eu morra”
Sem que veja uma mudança.
Andar à vontade pelas ruas,
Sem precisar de segurança.
Ter uma terra com harmonia,
Onde canta o sabiá.
❤
❤
Pedro Neitzki
“Nos últimos dias,
circula em redes sociais a reprodução de um dos textos elaborado por dois
estudantes da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A versão carioca
rapidamente comoveu a web: expõe, de modo poético, a triste realidade de quem
vive em meio à violência que mata inocentes diariamente – inclusive dentro de
colégios”
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/minha-terra-tem-horrores-versao-de-poema-feita-por-alunos-do-rio-causa-comocao-nas-redes-sociais.ghtml
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/J/C/YTKfzSRoukswbRBLk0ig/redacao.jpg)
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/minha-terra-tem-horrores-versao-de-poema-feita-por-alunos-do-rio-causa-comocao-nas-redes-sociais.ghtml
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar �sozinho, à noite�
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar �sozinho, à noite�
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dias