sexta-feira, 7 de abril de 2017

TRISTE CANÇÃO


Minha terra tem castanheiras,
Tem também os pinheirais;
Araras e gralha- azul,
São belezas naturais.

Céu azul  e estrelado,
Rios, várzeas e igarapés...

Porém, nessa linha,
Não dá para continuar;
Sobre uma coisa triste,
Infelizmente, tenho que falar.

Minha terra tem viciados,
Uma coisa que dá dó;
Pelas ruas, abandonados,
Cheirando cola e pó.

O desemprego, muito grande,
Assaltos, sequestros  e muito mais.
Das cadeias  saem  comandos,
E há carência de referenciais.

“Não permita Deus que eu morra”
Sem que veja uma mudança.
Andar à vontade pelas ruas,
Sem precisar de segurança.
Ter uma  terra com harmonia,
Onde canta o sabiá.
 ❤
Pedro Neitzki




“Nos últimos dias, circula em redes sociais a reprodução de um dos textos elaborado por dois estudantes da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A versão carioca rapidamente comoveu a web: expõe, de modo poético, a triste realidade de quem vive em meio à violência que mata inocentes diariamente – inclusive dentro de colégios”
 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/minha-terra-tem-horrores-versao-de-poema-feita-por-alunos-do-rio-causa-comocao-nas-redes-sociais.ghtml





http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/minha-terra-tem-horrores-versao-de-poema-feita-por-alunos-do-rio-causa-comocao-nas-redes-sociais.ghtml


Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

De Primeiros cantos (1847)

Gonçalves Dias